NÃO DÊ O PEIXE; ENSINE A PESCAR

NÃO DÊ O PEIXE; ENSINE A PESCAR
Valentino Aparecido de Andrade

Os aforismas têm a finalidade de demonstrarem uma
verdade trivial, mas que por ser muito evidente, nem sempre é percebida.
Como aquela que recomenda ao professor que não dê a seu aluno o peixe,
facilitando-lhe a vida, senão que o ensine a pescar. Não surpreende, pois, que
alguns juízes de tribunal tenham idealizado um curso destinado a advogados,
para os ensinar como devem atuar perante um determinado tribunal. Em lugar
de dar-lhes o peixe, estão a ensinar a pescar, ou melhor, a advogar.

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Pode ser que a ideia vingue e que tenhamos em
breve cursos espalhados pelo Brasil a fora, em que juízes, em seus vagares,
disponham-se a ensinar os advogados, como a dizer-lhes o que não devem
fazer perante os juízes, ou seja, perante eles próprios, os juízes-
professores. Em vingando esses cursos, augura-se a melhoria da advocacia.

Mas as coisas sempre podem ser vistas por um outro
lado. Quem sabe não se crie um curso misto, em que juízes e advogados
sejam a um só tempo professores e alunos. Em contato próximo com os
advogados, os juízes saberiam o que os advogados esperam de um bom
julgamento. E os advogados, por sua vez, tomariam conhecimento daquilo
que irrita os juízes, quando se deparam com um advogado que não conhece
bem a causa pela qual advoga.

Mas e os litigantes? Talvez fosse proveitoso que
juízes e advogados convidassem os litigantes, indagando-lhes o que esperam
da justiça.